Durante as brincadeiras as crianças demonstram como tem sido as afetividades em suas infâncias. Torna-se possível ao educador que tenha um olhar atento, perceber as agressividades que as crianças sofrem algumas vezes por seus familiares.
Segundo Oliveira (2000) o ato de brincar, como sendo um processo de humanização, no qual a criança aprende a conciliar a brincadeira de forma efetiva, criando vínculos mais duradouros. Assim, as crianças desenvolvem sua capacidade de raciocinar, de julgar, de argumentar, de como chegar a um consenso, reconhecendo o quanto isto é importante para dar início à atividade em si.
Para tanto, a brincadeira é de fundamental importância para o desenvolvimento infantil na medida em que a criança pode transformar e produzir novos significados. O brincar se torna importante no desenvolvimento da criança de maneira que as brincadeiras e jogos que vão surgindo gradativamente na vida da criança desde os mais funcionais até os de regras. É brincando também que a criança aprende a respeitar regras, a ampliar o seu relacionamento social e a respeitar a si mesma e ao outro. Por meio da ludicidade a criança começa a expressar-se com maior facilidade, ouvir, respeitar e discordar de opiniões, exercendo sua liderança, e sendo liderados e compartilhando sua alegria de brincar. Nesse sentido, ainda,Vygotsky (1988) afirma que a brincadeira, o jogo são atividades específicas da infância, na quais a criança recria a realidade usando sistemas simbólicos.
Os jogos e brincadeiras fazem parte da nossa existência e são imprescindíveis para o nosso desenvolvimento. De acordo com Huizinga:
[..] o jogo é uma atividade ou ocupação voluntária, exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias, dotado de um fim, acompanhando de um sentido de tensão e alegria e de uma consciência de ser diferente "da vida cotidiana".
Ainda nesse aspecto, o jogo é uma ação livre e fictícia, que extrapola a vida comum, sendo capaz de suspender a vida real e absorver totalmente o jogador. Sua existência e realização estariam condicionadas a um determinado intervalo temporal e a um espaço predeterminado e delimitado, contendo regras e ordem em seu desenvolvimento, sem que haja qualquer utilidade real ou interesse material em sua prática.O jogo simbólico ou o faz de conta, particularmente, é ferramenta para a criação da fantasia, necessária a leituras não convencionais do mundo. Abre caminho para a autonomia, a criatividade, a exploração de significados e sentidos. Atua também sobre a capacidade da criança de imaginar e de representar, articulada com outras formas de expressão. São os jogos, ainda, instrumentos para aprendizagem de regras sociais.
Segundo Jean Piaget (1971) a criança desenvolve-se por meio de atividades lúdicas e, no jogo, desenvolve também a inteligência e personalidade. É no brincar que realiza seus desejos, explorando o mundo que a cerca, exercitando o intelecto, a memória, a observação, a atenção.
Ao brincar, afeto, motricidade, linguagem, percepção, representação, memória e outras funções cognitivas estão profundamente interligadas. A brincadeira favorece o equilíbrio afetivo da criança e contribui para o processo de apropriação de signos sociais. Cria condições padrões para uma transformação significativa da consciência infantil, por exigir das crianças formas mais complexas de relacionamento com o mundo. Isso ocorre em virtude das características da brincadeira: a comunicação interpessoal que ela envolve não pode ser considerada “ ao pé da letra”; sua indução a uma constante negociação de regras e à transformação dos papéis assumidos pelos participantes faz com que seu enredo seja sempre imprevisível.
Por meio da brincadeira, a criança pequena exercita capacidades nascentes, como as de representar o mundo e de distinguir entre pessoas, possibilitados especialmente pelos jogos de faz conta e os de alternância, respectivamente. Ao brincar, a criança passa a compreender as características dos objetos, seu funcionamento, os elementos da natureza e os acontecimentos sociais. Ao mesmo tempo, ao tomar o papel do outro na brincadeira, começa a perceber as diferentes perspectivas de uma situação, o que lhe facilita a elaboração do diálogo interior característico de seu pensamento verbal.
Mediante estes pesquisadores e de tantas experiências vivenciadas no chão da escola, chegamos a conclusão de que o desenvolvimento infantil, pode e deve se dar através de práticas prazerosas para as crianças, que através do lúdico constroem e reconstroem suas realidades, reelaborando seus conhecimentos, constituindo assim, sua própria identidade, autonomia e leitura de mundo. Referências:
PIAGET Jean (1971) – A formação do símbolo na criança . Rio de Janeiro: Zahar Editores.
REGO, Teresa Cristina; Vygotsky: Uma perspectiva histórico-cultural da educação. 22ª Ed. - Petrópolis, RJ: Vozes 2011.
HUIZINGA, Johan. HOMO LUDENS - O jogo como elemento da cultura. São Paulo: Pespectiva, 1971.
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